Na Trilha do Cangaço - O Sertão Que Lampião Pisou

Fotografias de Márcio Vasconcelos

Texto de Frederico Pernambucano de Mello

Foi com o objetivo de revisitar lugares e personagens que construíram o imaginário popular do mito Lampião que o fotógrafo Márcio Vasconcelos viajou 4 mil quilômetros sozinho com seu próprio carro durante dois meses. Com histórias surpreendentes e um ensaio fotográfico de peso na bagagem, o projeto contemplado em 2010 com o XI Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia ganhou edição no livro Na Trilha do Cangaço – O Sertão que Lampião Pisou .

 Com curadoria de Maureen Bisiliat e texto de apresentação do historiador Frederico Pernambucano de Mello,  o livro tem capa dura e 104 páginas. O registro de Márcio Vasconcelos passou por cinco estados do nordeste brasileiro – Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia e Ceará – tendo visitado grandes cidades, povoados e pequenos vilarejos, retomando uma trilha imaginária por onde Lampião poderia ter passado, de 1920 a 1940. “Fui inspirado pelas imagens que tenho na memória dos fotógrafos da época, que se aproximaram do Lampião, o filme e o material deixado pelo Benjamin Abrahão, e pude ver que de lá pra cá muita coisa ainda permanece como se o tempo tivesse parado nas mesmas agruras e dificuldades de anos atrás”, conta Márcio.

“Feliz conjuntura entre as imagens de Vasconcelos – silenciosas, sensíveis, estrofes de um poema – e a Saga do Cangaço e do Lampião, história escrita por Frederico Pernambucano de Mello que com riqueza de informação euclidiana, nos apresenta Lampião ‘símbolo de toda uma região brasileira’, um livro que cavalga célere, levado pelas esporas do cangaço e pelo vento forte do sertão!”, escreve Maureen Bisilliat. 

Biografias

Márcio Vasconcelos nasceu em São Luís, Maranhão. Fotógrafo autodidata e independente, é autor dos livros Arte nas Mãos: Mestres Artesãos Maranhenses (Sebrae, 2007), Nagon Abioton – um estudo fotográfico e histórico sobre a Casa de Nagô (Programa Petrobras Cultural, 2009), Zeladores de Voduns do Benin ao Maranhão (Editora Pitomba, 2016, 1º Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-brasileiras da Fundação Cultural Palmares – Petrobras) e Na Trilha do Cangaço: o sertão que Lampião pisou (Vento Leste Editora, 2016, XI Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia). Premiado no XIV Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia com o projeto Visões de um Poema Sujo, inspirado no poema de Ferreira Gullar.

Maureen Bisilliat, nascida em Englefield, Surrey, construiu desde os anos 1950, quando se mudou para o Brasil, um dos mais sólidos trabalhos de investigação fotográfica da alma brasileira, aliando a seu olhar de estrangeira um respeito profundo por seus temas – sobretudo sertanejos e índios – e a busca de apoio conceitual na antropologia e em grandes obras da literatura nacional. Desde dezembro de 2003, sua obra completa está incorporada ao acervo do Instituto Moreira Salles. (IMS) 

Frederico Pernambucano de Mello nasceu no Recife, em 2 de setembro de 1947. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Faculdade de Direito do Recife, sua especialização profissional abrange, além do Direito, Administração de Assuntos Culturais: Política e Gerência. Em 1988, foi eleito para a Academia Pernambucana de Letras (APL); é membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, e superintendente do Instituto de Documentação da Fundação Joaquim Nabuco (FJN). Publicou: Rota Batida - Escritos de Lazer e de Ofício; Guerreiros do Sol - O Banditismo no Nordeste do Brasil (Prêmio Othon Bezerra de Mello, da APL); A Tragédia dos Blindados - Um Episódio da Revolução de 30 no Recife (Prêmio Governo de Pernambuco/Fundarpe).

Frederico é pesquisador de história social da Fundação Joaquim Nabuco, Recife, cidade em que nasceu no ano de 1947. Tem formação ainda em Direito e se aposentou como Procurador Federal.
É membro da Academia Pernambucana de Letras, onde ocupa a cadeira 36 desde o ano de 1988. Na fundação, integrou a equipe do sociólogo Gilberto Freyre, de 1972 a 1987, período em que se especializou, sob a orientação deste, no estudo da História Social do Nordeste do Brasil, especialmente em seus aspectos de conflito.
Pela originalidade dos estudos, volume da obra que produziu e por se dedicar a aspectos históricos tidos como ásperos e de pesquisa difícil ou penosa, tem sido considerado, sobretudo no meio acadêmico paulista, o "historiador do Brasil profundo".
Na especialidade, publicou ainda A tragédia dos blindados (1991); Quem foi Lampião (1993); A Guerra total de Canudos (1997) e Delmiro Gouveia (1998). Tem, no prelo, o livro Estrelas de couro: a estética do cangaço, resultado de estudo profundo a que se dedicou desde o ano de 1997. O maior sucesso foi mesmo Guerreiros do Sol, o mais profundo e completo estudo sobre o fenômeno do cangaço no Nordeste.
Sua pesquisa o torna o maior especialista no assunto, reconhecido tanto aqui quanto no exterior. Ariano Suassuna define assim a obra do autor:  

“Sem sombra de dúvida, a teoria do escudo ético de Frederico Pernambucano foi a única que, até o dia de hoje, me pareceu convincente. Foi a única que explicou a mim próprio os sentimentos contraditórios de admiração e repulsa que sinto diante dos cangaceiros”.

 




Itens relacionados